Curso de iniciação desportiva
«Da floresta trazemos muitas histórias
para contar e não deixamos
mais que algumas pegadas.»
ORIENTAÇÃO
Um esporte para toda a vida
Praticar um esporte e curtir a natureza ao mesmo tempo: este é um eterno desejo dos
habitantes das grandes e até das pequenas cidades. Sentir-se parte integrante de um
mundo que não nos pertence mas que nos é concedido com a finalidade de explorá-lo,
respeitando-o: eis o objetivo e a própria essência da Orientação, esporte vastamente
difundido na Europa.
A Orientação, maravilhoso esporte dos bosques, tem despertado nos últimos anos um
enorme interesse a nível internacional, mobilizando em dimensões crescentes um grande
número de esportistas de todas as idades e de todos os níveis sociais, tendo sido
proposto como novo esporte olímpico.
A maior parte daqueles que praticam Orientação, encontram nesse esporte a combinação
certa entre o movimento físico e o prazer de estar em meio à natureza. Isto porque
Orientação é movimento ao ar livre. Satisfaz tanto iniciantes quanto competidores
experientes e é emocionante tanto para os mais velhos quanto para os mais jovens.
A procura dos postos de controle sobre o terreno mapeado, através de uma escolha
individual do percurso, não só desenvolve as capacidades físicas e psíquicas, mas
também abre as portas ao curioso mundo das florestas. Por meio do mapa e da
bússola cada um pode determinar sozinho o caminho a ser percorrido em meio ao
bosque tendo a certeza de estar fazendo uma boa navegação em terreno desconhecido.
Em qualquer ponto do percurso, o competidor curte a paz da natureza e prova um
sentimento de segurança que nasce da confiança e do conhecimento em si próprio.
Nas competições, toda a técnica de Orientação é colocada à prova: escolha do
percurso, leitura do mapa, uso da bússola e compreensão das distâncias que são
devidamente comprovadas, em escala, sobre o trajeto estabelecido na prova. Por fim,
encontrar o prisma branco e laranja em cada um dos postos de controle transforma a
tensão do "procurar" no lazer do "achar".
Os requisitos fundamentais de uma disciplina esportiva moderna devem satisfazer a
simples necessidade de movimentos àqueles que são simplesmente amadores, mas também
assumir uma conotação tipicamente competitiva para aqueles que desejarem empenho maior.
Nos dois casos, o resultado deve ser o melhoramento geral das condições de saúde e
forma física dos praticantes. Isso quer dizer que a Orientação quando praticada
regularmente, torna-se um esporte que auxilia na manutenção da saúde.
Somente uma profunda e eficaz educação ambiental, aplicada desde os primeiros anos
na escola, poderá fazer nascer um "novo homem", capaz de entender o valor da natureza
na sua vida, É por esse motivo que a prática da Orientação deve ser dirigida às
crianças em idade escolar, mas não somente a elas, como também aos adultos que
queiram retomar a sua vitalidade, redescobrindo suas afinidades com a natureza.
Assuntos:
1. Histórico da Orientação
2. Como se desenvolve um percurso de Orientação
3. O Mapa de Orientação
a. Escala
b. Curvas de nível
c. Símbolos e cores
4. O Cartão de Controle
5. Técnicas de Orientação
a. Como usar a bússola
b. Direção sem a bússola
c. Escolha da rota
d. Uso do polegar
e. Pontos de checagem
f. Memorização do terreno
g. Utilização de pontos de ataque
6. Formas do terreno
7. Como avaliar a distância percorrida
8. Conclusão
- UNIFORME UTILIZADO NA ORIENTAÇÃO
- GLOSSÁRIO
- Categorias
- Grau de Dificuldade
- Símbolos dos mapas de orientação
1. Histórico da Orientação
Orientação é a habilidade de encontrar um caminho rápido e seguro de um lugar a outro,
sempre em uma área desconhecida para o atleta.
A habilidade de se orientar não é, certamente, uma coisa nova. Ela sempre foi de grande
uso por toda a humanidade.
Talvez o primeiro orientador ativo tenha sido Adão, que encontrou seu caminho para o
Jardim do Éden e para Eva. De certo modo devemos lembrá-lo com gratidão.
Outro bem conhecido orientador foi Cristóvão Colombo que iria da Europa para
as Índias, mas perdeu seu objetivo (ponto de controle) e descobriu a América. Somos
muitos gratos também a ele.
Esse esporte, no entanto, passou a ter maior significado quando um corredor de longas
distâncias, que era também um matemático, disse certa feita que, antes de começar
uma prova de maratona, ele se propunha a resolver um problema de matemática que
necessitava, normalmente, umas três horas de trabalho mental para a sua resolução.
Desta maneira, tinha certeza de que não se aborreceria com a monotonia apresentada
por uma corrida deste tipo. Assim, ele fazia os 42 Km da maratona numa atividade
completa, ocupando tanto a mente como o corpo.
Esta necessidade de ocupar a mente enquanto se desenvolve uma atividade física, talvez
tenha sido a responsável pela grande aceitação da Orientação, desporto que alia à
atividade física uma atividade mental intensa.
Como muitos outros desportos modernos que se difundiram mundialmente durante os últimos
quarenta anos, a Orientação foi aplicada para solucionar um problema. Da mesma maneira
que o voleibol e o basquetebol, a Orientação foi iniciada para encorajar os jovens a
utilizar a natureza como meio para o desenvolvimento físico e mental. Foi o Major
Kilander, um jovem sueco e líder escoteiro que, em 1918, observando uma queda no número
de participantes em corridas rústicas e cross-country, decidiu usar a própria natureza
para motivar a participação nessas competições. Assim, organizou percursos e iniciou as
primeiras competições de Orientação. Esses eventos pioneiros constituíram-se num sucesso
absoluto, o que o incentivou a continuar.
Já em 1922 tinha lugar o primeiro Campeonato Distrital na Suécia.
As primeiras competições eram muito fáceis e os postos de controle colocados em acidentes
do terreno bastante característicos devido, primordialmente, à má qualidade das cartas da
época.
Por volta de 1955, porém, houve um grande aprimoramento nas cartas de Orientação, o que
melhorou consideravelmente a igualdade nas condições de competição. Com isso, o corredor
de longa distância, que sempre ganhava as competições de orientação cedeu lugar para
um atleta mais completo - o bom orientador - que coloca a sua aptidão
física a serviço de sua capacidade de orientar-se corretamente (leitura do mapa,
utilização da bússola, escolha da rota, etc).
Em 1935 foi formada uma organização sueca , destinada a coordenar a Orientação naquele
pais, tal a difusão atingida por ela.
Em 1937 teve lugar o primeiro Campeonato Sueco de Orientação.
Poucos anos depois, percebendo a grande utilidade deste esporte para a população,
o governo sueco oficializou esta atividade, introduzindo-a nos currículos escolares
a partir de 1942.
Em 1961 foi fundada a Federação Internacional de Orientação, que em 1964 já possuía
onze países filiados.
Em 1962 foi realizado na Noruega o primeiro Campeonato Europeu de Orientação que teve
sua parte masculina vencida por um norueguês - Magne Lysfad - e sua parte feminina por
uma sueca - Ulla Lindkivist. Este campeonato vem sendo realizado de dois em dois anos.
Em 1966 realizou-se na Finlândia o primeiro Campeonato Mundial de Orientação.
No Brasil a Orientação começou em 1970 com a ida de três observadores militares ao
IV campeonato do CISM (Conselho Internacional de Esportes Militares) que se realizou
em Alborg, na Dinamarca.
Em 1971, o Brasil competiu no V Campeonato do CISM, realizado na Noruega, obtendo
o 9° lugar entre onze concorrentes.
Nos anos de 1972, 1973 e 1974 a Comissão Desportiva das Forças Armadas (CDFA) organizou
Campeonatos de Orientação das Forças Armadas, sendo o primeiro no Rio de Janeiro e os
outros dois em Brasília.
O III Campeonato de Orientação das Forças Armadas (Brasília -1974) revestiu-se de grande
importância pois foi realizado já com Mapas de Orientação, o que aprimorou, sobremaneira,
seu nível técnico.
De lá para cá foram realizados vários estágios por militares com a finalidade de difundir
a Orientação, estabelecendo uma norma geral de procedimentos e uniformidade de atitudes,
interpretações e conduta.
É de se observar que a Orientação envolve um grande número de pessoas altamente
qualificadas tecnicamente em todos os eventos que envolve a sua prática. Desde a
aerofotogrametria à confecção e atualização dos mapas, até o próprio praticante.
Esperamos que em breve esteja este esporte incluído nos desportos olímpicos,
num justo reconhecimento à sua importância haja vista que, do mesmo modo que a maratona
o foi pelo relevante motivo de lembrar um episódio histórico, aquele mesmo soldado que
percorreu os 42.195 metros, transportando uma mensagem, teve que fazê-lo antes de mais
nada, orientando-se.
2. Como se desenvolve um percurso de Orientação
A Orientação, esporte ecológico, é realizado em florestas e parques com percursos em
balizamento, apenas com pontos de passagens obrigatórios.
Os participantes são divididos em categorias, segundo os sexos, idades e nível técnico,
de acordo com a dimensão do evento. Podem competir, ou apenas se divertir, dos 8 aos
80 anos, inclusive deficientes físicos. Na Europa existem provas com mais de 34 categorias.
Na área de concentração esta localizada a pré-partida, de onde os atletas seguem
individualmente. com intervalos de 1 a 5 minutos, por um trajeto balizado para a partida.
O atleta, que não deve conhecer a área da competição, recebe na partida o mapa de
orientação contendo informações necessárias para a escolha dos caminhos entre os
controles.
Neste mapa estão locados a partida (triângulo), os pontos de controle (círculos)
numerados em ordem crescente e a chegada (dois círculos concêntricos), e se inicia
a contagem do tempo. No terreno a largada e a chegada estão identificados por faixas,
sendo que o primeiro ponto fica perpendicular à faixa de largada.
O atleta marca sua passagem usando o picotador com diferentes desenhos, que fica preso
ao prisma. Podem ser usados carimbos, canetas coloridas, etiquetas ou qualquer outra
forma de código para provar que o atleta passou pelo ponto de controle.
O vencedor é aquele que fizer o percurso de 1,5 a 16 Km no menor tempo, até um limite de
4 horas para homens e de 3 horas para as damas.
Não basta ser o mais veloz, nem apenas esperto, é preciso saber escolher a rota e ser
ligeiro ao correr.
Os pontos de controles correspondem aos centros dos círculos no Mapa de orientação e,
no terreno, são indicados por prismas triangulares, nas cores branca e laranja,
colocados em acidentes naturais (árvores, pedras, trilhas, rios, cupins) ou artificiais
(cerca, instruções, barragens),
3. O Mapa de Orientação
a. Escalas
Esta técnica deve ser utilizada quando não houver dúvidas quanto a direção que o
acidente do terreno fornece. Deve-se, também, evitá-lo no inicio da aprendizagem e
somente ser utilizada quando o orientador já estiver familiarizado com a bússola.
A desvantagem dessa técnica é a impossibilidade de ser usada em todas as situações.
Em muitas ocasiões o orientador precisa utilizar o azimute em áreas cobertas.
As distâncias do terreno são representados em escala, e as mais comuns são 1.15000
e 1:10000. Quando dizemos que a escala de um mapa é 1:15000, significa que 1 cm
no mapa corresponde a 15.000 cm no terreno. Para saber a distância em metros, no
terreno, basta cortar os dois últimos zeros, no caso 150 metros. Outro exemplo:
Num mapa de escala 1:10000, 1 cm no mapa é igual a 100 metros no terreno.
b. Curvas de nível
A Orientação não pode se desenvolver em perfeitas condições sem um bom mapa de orientação.
Os mapas de orientação possuem muito mais detalhes que os mapas comuns e, apesar de
parecerem complexos, são de fácil leitura e rápida compreensão. Em pouco tempo aprendemos
os símbolos básicos e estes se tornam familiares.
A topografia (representação gráfica do terreno) é o elemento mais confiável de uma carta,
pois as florestas são derrubadas, casas são construídas ou destruídas, cercas e estradas
novas poderão nos confundir, mas os morros, ravinas, colos e rios pouco ou nada são
alterados ao longo dos anos.
Imagine se pudéssemos cortar o pão - de - açucar em fatias horizontais de mesma 'grossura
(eqüidistância das curvas de nível como se fosse um simples pão.
Olhando de cima, os cortes aparecem formando linhas fechadas de mesma altitude, são as
curvas de nível.
Nas Cartas de Orientação a eqüidistância das curvas de nível são de 5 ou 10 metros.
Quanto mais próximas as curvas de nível, mais íngreme é a encosta, quanto mais afastadas,
mais suave é a encosta.
c. Cores e Símbolos
As cores dos mapas de orientação em geral representam os seguintes acidentes:
Azul
– representa todos os elementos de água
(hidrografia): poços, rios, lagos, nascentes, açudes, córregos,
etc.
Verde
– representa vegetação. Quanto mais escuro o verde mais intransitável a
vegetação. Verde bem escuro para mata intransitável, verde mais claro para
mata onde a corrida é lenta. Listras verdes indicam trânsito em apenas numa
direção.
Branco
– representa a floresta com excelentes condições de corrida.
Floresta Limpa (árvores mas sem vegetação rasteira); eucalipto, pinus, etc.
Amarelo
– representa vegetação, campos abertos com vegetação rasteira com ou sem
árvores esparsas. A intensidade da cor mostra quão limpo é o campo. Amarelo
vivo para gramados, amarelo claro para campos com vegetação mais alta.
Representa áreas abertas: campos abertos, clareiras, gramado, pasto, etc;
Púrpura
ou Vermelho – usado para marcar o percurso de orientação
no mapa. Usado, também, para designar condições especiais do terreno como
zona proibida ou perigosas, ponto de controle, passagem obrigatória.
Marrom
– temos tudo o que está relacionado com diferenças de altitude, representa todos os
elementos topográficos como curvas de nível, buracos,
colinas, depressões, barranco, vala, buraco, montículo, montanhas, ravinas, etc.
Preto – representa
elementos construídos pelo homem (estradas, edificações, postes, torres,
cercas, etc.) e, também, todos os elementos rochosos (pedras, solo rochoso,
etc.)
É a cor mais utilizada e representa variados objetos e características do
terreno, geralmente artificiais ou rochosos: estradas, caminhos, linhas de
alta-tensão, edifícios, rochas e precipícios.
4. O Cartão de Controle e seus símbolos
É o cartão que provê as informações sobre o
percurso e sobre os pontos de controle. Determina o tipo de elemento onde se
encontra o ponto de controle, suas características e sua localização.
Identifica o ponto de controle e dá outras informações complementares.
Estas informações podem estar por escrito (iniciantes) ou por símbolos
semelhantes aos do mapa (sinalética).
O cartão de controle serve para o atleta registrar sua passagem pelo ponto de controle,
sendo o instrumento pelo qual os organizadores a confirmam. A outra finalidade do cartão
de controle é informar as características do ponto de controle ao atleta. A descrição e
as características dos pontos de controle no cartão de controle são feitas através de
símbolos. Veremos os mais importantes.

Picotando o cartão de controle
5. Técnicas de Orientação
a. Como usar a bússola
É uma das primeiras técnicas aprendidas por um orientador iniciante. Depois da carta,
o instrumento mais importante para o orientador é a bússola.
Através da bússola podemos traçar a direção geral para qualquer ponto de uma pista de
orientação. Teoricamente é possível atingir qualquer ponto utilizando o azimute. Isto
pode ser feito em pistas de curta distância, onde os pontos estejam a mais ou menos 300
metros, porém pode se tornar impraticável quando essa distância aumenta, pois o terreno
possibilita a rota no azimute.
Atualmente, os orientadores costumam utilizar o azimute para: indicar a direção à seguir,
manter a direção durante a corrida, orientar a carta e determinar uma posição.
Em algumas bússolas e mapas encontramos a escala gráfica que é uma régua que dá distância
em metros em uma determinada escala. Um simples pedaço de régua substitui esta escala,
bastando para isso medir a distância e multiplicar pelo valor correspondente, no terreno,
em metros.
Para usar o conjunto mapa e bússola devemos seguir os passos abaixo:
1. Colocar uma das laterais maiores ou a seta de navegação sobre a direção a
seguir;
2. Girar o limbo até coincidir as linhas meridionais da bússola com as linhas que
indicam
o norte no mapa;
3. Girar o conjunto carta e bússola até coincidir o Norte da bússola (ponta vermelha) com
as linhas meridionais da bússola, ficando a agulha da bússola no centro da seta vermelha e
preta.
Pronto, o seu mapa já está orientado, agora basta seguir a seta de navegação e
principalmente consultar o seu mapa de orientação comparando os acidentes do terreno
com os constantes do mapa.
A bússola é um instrumento de orientação,
já utilizado desde antes do séc. XV; ela nos indica o azimute que é uma
palavra árabe e significa: "o caminho da direção".
b. Direção sem a bússola
Consiste em substituir o norte magnético fornecido pela bússola pela direção dado por
um ou mais acidentes do terreno que esteja bem nítido (cerca, estradas, ravinas, orlas
de vegetação, etc ... ). Uma maneira simples de utilizar esta técnica é ficar de frente
para a direção fornecida pelo acidente do terreno, mover a carta de forma que fique nesta
mesma direção. Em seguida o orientador traça a direção do ponto com um dos braços,
formando um Angulo igual ao fornecido pela carta.
É muito difícil dispor de um acidente do terreno que dê a direção para se tirar o azimute
sem a bússola. Além disso, costuma ser menos preciso que o azimute c com bússola.
c. Escolha da rota
Consultando o mapa de orientação descobrimos as dificuldades (rios, matas, abismos
áreas proibidas) e as facilidades (trilhas, bosques, cercas, pontes, áreas abertas)
que o terreno apresenta.
Cabe ao atleta decidir a rota mais conveniente entre os controles: se deve correr pela
estrada uma distância maior e segura, ou atravessar andando a mata num trecho mais
estreito, usando muita técnica.
A escolha da rota é a essência deste esporte, aliando a atividade física ao trabalho
mental, e tendo como cenário a própria natureza, portanto respeite-a e conserve-a.
d. Uso do polegar
Essa técnica é utilizada para diminuir o tempo e facilitar a localização do orientador
na carta. Consiste em dobrar a carta uma ou duas vezes, de forma que o dedo polegar
possa ser movimentado em qualquer ponto da rota que o orientador traçou na carta. Isto
permite a utilização dos chamados "pontos de checagem". A medida que o orientador progride
no terreno, o polegar é movimentado na carta, o que facilita a localização. É muito útil
quando usado com outras técnicas. Normalmente aparece somente a área da rota entre o
ponto que está e o que se deseja ir.
e. Pontos de checagem
Durante a rota traçada pelo orientador, este pode utilizar os pontos de checagem para
evitar desvios e conseqüentemente perda de tempo e energia (cansaço).
Esta técnica consiste em localizar acidentes do terreno por onde o orientador passará
durante sua rota. Ao sair de um ponto em direção a outro, o orientador escolhe três,
quatro ou até mais pontos de checagem que devem ser vistos e usados como referência, e
na medida que progride os acompanha com o uso do polegar. Escolhe-se normalmente
acidentes facilmente identificáveis no terreno e mapa como: ravinas, talvegues,
construções, encostas, espigões, etc. Trilhas, cercas e vegetação devem ser
observados com mais cautela, pois estão mais sujeitos a ação do homem.
f. Memorização do terreno
Orientadores experientes conseguem formar o terreno em sua mente com a simples
observação da carta.
Com o tempo e a prática, os orientadores conseguem memorizar e desenvolver essa
capacidade, o que auxilia muito na escolha de rotas e de pontos de checagem. Essa
técnica pode evitar os desvios de rota, muito comum em orientadores inexperientes
e os que correm muito durante as pistas. Porém, é de difícil aplicação quando o
atleta estiver muito cansado.
Por isso a prática regular de educação física, principalmente corrida é tão importante
para esta técnica, e vice-versa. Quando o atleta está menos cansado a memorização
torna-se vais fácil e guarda-se melhor a rota escolhida.
g. Utilização de pontos de ataque
O orientador experiente utiliza muito esta técnica porque possibilita chegar com maior
precisão na área do ponto. É muito preciso quando usado junto com o azimute e o passo duplo.
Atletas iniciantes ou apressados tem a tendência de atacar diretamente o ponto e nestas
situações a precisão é prejudicada. Há uma tendência entre os montadores de percursos em
colocar os pontos de forma a serem vistos, no máximo, a vinte metros. Dessa forma, a
utilização de pontos de ataque é fundamental, pois os montadores experientes evitam
colocar pontos flutuantes, ou seja, sem pontos de ataque.
Algumas vezes, o ponto de ataque não está situado na rota do orientador, mas mesmo
nesses casos, o tempo gasto para se chegar ao ponto de ataque pode significar uma boa
economia de tempo (mesmo que o ponto de ataque esteja na direção contrária a da rota).
Nada pode ser mais dispendioso em uma pista que o vasculhamento, pois além do gasto de
tempo, esgota as energias do atleta, abaixa a sua moral e proporciona desconcentração.
6. Avaliação da distância percorrida
Numa pista de orientação, os atletas constantemente necessitam avaliar as distâncias a
serem percorridas.
Pode-se, com muita prática, avaliar uma distância com a visão, o que pode ser muito útil
em terrenos abertos. Porém, isto não pode ser feito em todas as situações, além de ser
impreciso e sujeito a erros, principalmente quando o atleta estiver cansado.
Pode-se medir as distâncias através do passo duplo, contando mentalmente toda vez que
pisarmos com o pé direito (ou esquerdo) no solo. É a forma mais rápida, simples e precisa
que o orientador pode usar para medir distâncias durante uma pista. Para isso. o orientador
tem que ter o passo bem aferido, pois o número de passos duplos varia com a estatura
(tamanho da perna) da pessoa, com a inclinação (subida, descida, plano) e vegetação
(sujo ou limpo) do terreno e a velocidade desenvolvida pelo praticante. A aferição
normalmente é feita numa distância de 100 metros.
A utilização do passo duplo é muito útil. Há orientadores que correm toda a pista
contando os passos duplos, no entanto aconselha-se a contagem a partir do último ponto
de ataque (último ponto que se tem certeza de estar). Esse exercício permite, com o
decorrer do tempo, a contagem mental em todas as situações, mesmo quando o orientador
estiver concentrado em traçar rotas e observar detalhes na carta e no terreno.
Em média para cada 10 metros devem contar:
- Crianças : 7 passos duplos andando ou 5 correndo
- Adultos : 6 passos duplos andando ou 4 correndo
7. Formas do terreno
Serão vistos no terreno as seguintes formas:
- Ravina;
- Talvegue;
- Colo;
- Espigão;
- Esporão;
- Platô;
8. Conclusão
Em resumo, a Orientação é uma caça ao tesouro, pois "caçamos" saúde junto à natureza,
desenvolvendo nosso raciocínio, tendo a liberdade de escolher nossos caminhos criando
novos laços de amizades.
UNIFORME UTILIZADO NA ORIENTAÇÃO
Vestimenta O mais indicado é o uniforme composto de calça e camiseta de manga longa,
confeccionado em material leve que não retenha a água. Os tecidos mais usados são o
nylon e o trilobal. Tênis específico para a modalidade com boa aderência ao solo e
que tenha sistema de amortecimento do impacto. Podem ser usadas caneleiras confeccionadas
em nylon ou tecidos elásticos com proteção na parte anterior.
GLOSSÁRIO
Azimute: Direção fornecida pela bússola;
Atravancar: É o mesmo que derrubar o mato no peito, perder-se, orientar-se mal, perder
muito tempo;
Bússola - É um objeto com uma agulha magnética que é atraída para o polo magnético terrestre.
Carneiro: É o orientador que não usa as técnicas de orientação e persegue outros
orientadores. Geralmente são excelentes no preparo físico e fraquinhos em técnica.
Cartão de Controle - Local onde se registram, através da perfuração feita pelos
picotadores
(alicates), as passagens nos pontos de controle.
Chafurdar: É o mesmo que se perder durante o percurso.
Curva de Nível - Linha imaginária no solo a uma altitude constante. No mapa permite-nos
calcular os desníveis.
Dar varada: errar um ponto, passando e muito do mesmo, com a convicção de que está
indo na direção certa.
Declinação magnética - Ângulo entre o Norte Magnético e o Norte Geográfico.
Eqüidistância - Desnível entre cada curva de nível.
Escala - Relação entre o tamanho real de um objeto e a sua dimensão no mapa.
Escala 1:10.000 significa que no mapa está tudo representado 10.000 vezes menor,
ou seja, 1 cm no mapa corresponde na realidade a 10.000 cm (100 metros).
Legenda - A legenda descreve os símbolos utilizados no mapa para representar as várias
características do terreno.
Linhas de Norte - São linhas paralelas desenhadas do Sul Magnético para o Norte Magnético,
espaçadas geralmente 500 metros (1:15.000) ou 250 metros (1:10.000). Estas linhas são
normalmente pretas. Estas linhas encontram-se, geralmente, apenas nos mapas de orientação.
Mapa - O mapa é uma representação simplificada da superfície da terra vista de cima e
reduzida em dimensão. A escala indica-nos exatamente quanto é que o mapa está reduzido,
e está presente em todos os mapas.
Matar um ponto: Nada mais é do que achar um ponto em um percurso de orientação.
Usa-se este termo porque cada percurso temos de 10 a 20 pontos de controle e acha-los
é uma verdadeira batalha.
Norte Geográfico - Um dos locais onde converge o eixo imaginário de rotação da terra,
também chamado de Pólo Norte. (o outro local de convergência será no Sul Geográfico -
Pólo Sul).
Norte Magnético - Existe ao longo da Terra um campo magnético que converge nos pólos
magnéticos norte e sul. A agulha de uma bússola é atraída por estes pólos. Em toda a
zona norte do globo as agulhas das bússolas são atraídas para o Norte Magnético.
Passo Duplo: instrumento utilizado pelos orientadores para medir distâncias durante
o percurso. Consiste em contar quantas vezes o pé direito toca o solo em uma determinada distância. Ex: 60 passos duplos é igual a 100 metros. Esta relação varia de um orientador para outro e de acordo com o terreno e do tipo de deslocamento (andando ou correndo). A melhor maneira de determinar o passo duplo é experimentando em uma pista de corrida (andando e correndo) e depois durante um percurso. Devemos fazer uma pequena tabela e anotar as variações.
Patrulha: Vários orientadores correndo juntos;
Percurso de orientação - Um percurso de orientação é constituído por uma partida,
uma série de pontos de controle identificados por círculos no mapa, unidos por linhas
retas e numerados na ordem pela qual devem ser visitados, e por uma meta.
Perneiras - Peça de vestuário semi-rígida que protege a parte inferior da perna.
PIAU: É o grito de guerra do orientador. Usado quando o orientador acha o ponto e
quer avisar os demais. Até hoje ninguém sabe como surgiu este termo, mas provavelmente
foi herdado dos pescadores. Pego pelo jacaré: É o termo usado para designar o orientador
que some durante o percurso e chega depois de horas todo machucado na chegada;
Picotador - Para provar que um ponto de controle foi visitado, o 'Orientador' utiliza um
sistema de perfuração (alicate, também chamado de picotador) que se encontra junto à
baliza, para "picotar" o cartão de controle. Cada alicate faz um padrão de furos diferente.
Picotar: Perfurar o cartão de controle com o picotador (provar que achou determinado
ponto);
Ponto de Ataque: Acidente destacado do terreno donde se tem certeza estar;
Prisma (Baliza) - Objeto laranja e branco cujas faces têm normalmente um tamanho
de 30 x 30 cm e que indica a localização de um ponto de controle.
Reambular: Fazer a atualização do mapa com o terreno;
Rota: Caminho escolhido pelo atleta para chegar aos pontos de controle;
Sinalética - Descrição da localização exata dos postos de controle indicados pelo mapa.
Zerador: Atleta que completa o percurso com o menor tempo, vencedor;
Categorias
1. SEXO: "H" Homens e "D" Mulheres
2. IDADE:
D 10 H 10 - Mulheres e Homens até 10 anos
D 12 H 12 - até 12 anos
D 14 H 14 - até 14 anos
D 16 H 16 - até 16 anos
D 18 H 18 - até 18 anos
D 20 H 20 - até 20 anos
D 21 H 21 - De qualquer idade
D 35 H 35 - Mais de 35 anos
D 40 H 40 - Mais de 40 anos
D 45 H 45 - Mais de 45 anos
D 50 H 50 - Mais de 50 anos
D 55 H 55 - Mais de 55 anos
D 60 H 60 - Mais de 60 anos
D 65 H 65 - Mais de 65 anos
D 70 H 70 - Mais de 70 anos
D 75 H 75 - Mais de 75 anos
D 80 H 80 - Mais de 80 anos
D 85 H 85 - Mais de 85 anos
D 90 H 90 - Mais de 90 anos
D N 1 H N 1 - CRIANÇAS ACOMPANHADAS - Menos 18 anos
D N 2 H N 2 - ADULTOS ACOMPANHADOS - Mais de 18 anos
Aberto - Para participantes inscritos após a data de inscrição
Grau de Dificuldade
"E" - ELITE
"A" - MUITO DIFÍCIL
"B" - DIFÍCIL
"N" - FÁCIL
"N1 e N2" – INICIANTES
Símbolos dos mapas de orientação